Subiu de preço

José Horta Manzano

Li outro dia, num artigo de jornal, a seguinte frase: «Um dos efeitos da crise entre Estados Unidos e Irã foi o aumento no preço do barril de petróleo».

Alguma coisa me incomodou. Foi como aquela pedrinha que entra no sapato e não permite que se dê mais um passo. Não levei muito tempo pra descobrir o que era.

O barril de petróleo está mais caro – é o que diz o autor da frase. Por que restringir o encarecimento ao petróleo em barris? Que o petróleo seja medido em barris, baldes, conchas ou tonéis, tanto faz: está mais caro. O que subiu de preço foi o conteúdo, seja qual for o continente. Na frase do jornal, o barril está sobrando.

Basta dizer que o preço do petróleo aumentou. Com menos palavras, obtém-se o mesmo efeito. E não há contraindicação.

Só para ser chato
«… aumento no preço do barril de petróleo». Esse no me atrapalha também. Não me parece correto falar de aumento em alguma coisa. Aumento no preço será, com vantagem, substituído por aumento de preço ou do preço. Resumindo, a frase enxuta é: “aumento de preço do petróleo” ou “aumento do preço do petróleo”. Ao gosto do freguês.

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